Home Data de criação : 08/07/29 Última atualização : 09/12/31 22:25 / 92 Artigos publicados
 

ENTRE O MAR E JANEIRO  escrito em quinta 31 dezembro 2009 22:25

Ontem olhei o mar e pensei

Se seria sensato mergulhar nele

Como vagabundo ou como rei

Ambos disfarçados com a minha pele.

(E sonhei um combate desenhado

A traços de ácido clorídrico

Com gritos de amotinado

E penas de mafarrico.)

Era a tarde de um dia chuvoso

Na avenida desfilavam trabalhadores

Sob o olhar de um deus judicioso

Como presas seguidas por caçadores.

 

A voz das ondas era rebelião

Anteparas do tempo e do sexo

A fome e a dor como navalhão

A circuncidar esquecido amplexo.

(Seguro a espuma caída das ondas

Como estandarte afogueado em vento

Cumprindo escrupulosas rondas

Em muralhas ávidas de sustento.)

Hoje olhei o mar e pensei

Vi sombras fugidias envergonhadas

E um som perpétuo que julguei

Ser passos de sereias amortalhadas.

 

Não sei se como vagabundo ou como rei

Amanhã vou olhar de novo o mar que olhei…

 

 

31Dezembro2009

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NÃO DEUSA, AINDA MULHER...  (poesia) escrito em segunda 28 dezembro 2009 15:45

"Até  o meu nome inventas", disse-me ela, imponde-me um sorriso quase doce, como tropelia sem palavras riscando a noite chuvosa em parceria com um vento trapalhão que agitava árvores e fazia ondular os barcos no cais ancorados, a uma dezena de passos de nós. 

Na sofreguidão dos beijos e das juras de amor, no gozo da sua pele sedosa, mãos e braços duplicando-se minuciosamente, no ar da noite a música enebriante vinda da sala trazia com ela recordações de equinócios e solstícios, como um hino de amantes consentidos, merecidos, a verem a ampulheta do tempo passar com uma rapidez indesejada. Cada dia, cada noite, devem ser vividos com intensidade. Um momento de cada vez, sem resistência, com entrega.

Não inventei o teu nome. Troquei o teu nome, desculpa - não te disse na altura: estava demasiado excitado, entregue, aprisionado.

Sei que nunca lerás este texto, por isso desculpa, amor, por te ter chamado deusa, quando ainda és mulher...

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*  escrito em sexta 25 dezembro 2009 12:58

Para todos os AMIGOS

e PASSANTES, desejo um 2010

 onde vire o vento e mude a sorte!

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ERA UMA VEZ, EM AGOSTO  escrito em sábado 19 setembro 2009 21:01

Numa manhã de Agosto, orgulhosamente quase louca, com a clara luz do sol em suspensão, vi-te lá ao longe, caminhando como se não houvesse chão nem tempo, num jogo de caminhos, quase intrigante.

Eras a origem do mundo num tempo ritmado, perto da natureza, na minha imaginação. Os cheiros são intensos. Genuínos.

Aqui, onde te espero e sei que vens, tudo é belo, harmonioso. A areia é branca e fina. O pôr-do-sol é quente e vermelho.

Trocámos um sorriso, sem gestos e sem palavras. Pela areia a sombra dos nossos corpos entrelaçados espalha-se.

O mar azul acompanhou o ritmo do nosso amor, lento, profundo, liberto. Ainda acompanha...

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COMO SE FOSSES MAR  escrito em domingo 16 agosto 2009 21:55

Levantar-me de quando em vez, dar um mergulho, regressar à madorra pachorenta, apanhar sol, voltar a mergulhar, repetir...

Este sol e este mar nunca são iguais, isolo-me, acariciando-te a mão, o braço, teu ventre rijo... Sinto o ardor do teu corpo, a disponibilidade dos teus lábios, o teu olhar por entre pestanas, doce, infinito, peregrino. Fascinante. Sinto-me um aventureiro solitário a explorar um mundo de maravilha, sem amargura e sofrimento.

Mergulho em ti, como se fosses mar!...

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