Por
vezes vivo como se estivesse a explorar um mundo vindouro,
debruçado sobre meus pensamentos, sempre num possível novo começo,
sem nada a tolher-me as sensações que convivem com as saudades do
passado. Tudo porque sou um boémio sem agruras mas com
sentidos.
Gosto
de vadiar no amor, a gente não muda muito, se for pecado, aceito.
Não é tempo perdido, quando as coisas correm segundo nossos
desejos. O corpo dela, fora do palco, ganha espessura, a sua voz
enche-se, esculpindo sonhos maduros, seguros. Inspira-me seus
gestos a desenharem privados comoventes beijos de amor. O
rosto, a imagem, a fluidez dos seus compridos cabelos, brilhantes e
loucos, entusiasmados. Ao redor, como máscaras em circulação,
olhares, um olhar mais longo e fixo sugere-me um labirinto sem fim
nem início. Sei que a vou amar...
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