Revisito o mar. A noite acaricia-me com o seu perpétuo e imutável silêncio. Viajo pela memória seguro em pequenos fios de seda que se interligam despertando fantasmas triviais, pirataria no som que veraneia no tempo, prolongando-se nos dias pilhados à vida. Interminável conversa íntima, abandono a terra gratuíta, salgada de água doce, esventrada, à minha mercê. O que me acontecerá se os meus sonhos acontecerem? Épico amor que me retoma abrindo as catacumbas das veias, enquanto a cidade mergulha no mar do caos. Sinto-me narrador e porta-voz desta história à beira mar inventada. De amor e de sexo, para trás fica a perseguição dos olhares entre estrelas e algas, novo silêncio recordado e por explicar. Apenas uma dúvida: quando é que tudo começou?
Vejo-te pacífica e contida nas palavras, atenta ao desenrolar contraditório das ondas, como se voasses muito baixo, muito baixo. Um rumor a crescer como liberdade iminente emana dos reflexos absurdos dum luar serôdio ao longo dos passos percorrendo a cidade abandonada, refúgio de entes e de mentes dementes. Fomos nós os primeiros a chegar. Acentua-se a nossa privacidade. Consta que se purificaram os instantes por onde passámos, suturando o acaso e o infinito, envolvidos nas algemas de um cúpido desastrado. Vim revisitar o mar.
Agora toda a gente vai acreditar que matei este amor em legítima defesa!












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